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Sobre Catherine Plata

(...) "Oh! decerto... (pensei) é doce página onde a alma derramou gentis amores; são versos dela... que amanhã decerto ela me enviará cheios de flores..." Álvares de Azevedo.

O amor de Lilith.

LILITH: Na tradição hebraica exposta no Talmud, Lilith foi a primeira mulher de Adão, mãe de demônios e gigantes, que, de acordo com as lendas, não quis submeter-se à autoridade do marido, abandonando-o para ir viver na região do ar. Esotéricamente e na Astrologia, considera-se Lilith um símbolo dos instintos animais e dos impulsos femininos e lunares mais primitivos. Está relacionada com os estímulos do inconsciente profundo.

Engana-se quem pensa que Lilith não chora a perda de seu Adão. Entre raivas e rugidos de um temporal humano, aquela louca mulher se esvai junto das saudades que fogem os poros. Seu corpo que não se deita mais, que não divide mais a mesma cama que Adão, não é um corpo tão livre como parece. Ela é Lilith, é traço do que é da selva da mulher, em estado bruto, é mulher, e não irá morar nos recônditos que reduzem a sexo frágil o complexo fenômeno de ser fêmea. Ela é Lilith porque goza. É Lilith porque vibra. É Lilith porque deseja, comete, e rompe. Não haveria espaço para aquela criatura no reino das moderadas moças de traços insossos. Não haveria moradia para aquela ânsia, para aquele suspiro, para aquela presença. Ela se vai, vaga mundo afora, e cria seus novos universos, e novas histórias. Reencarna na mesma vida, no mesmo mundo, e pincela com novas cores seu novo olhar. Sua realidade muda os móveis de lugar, mas nada além disso se transcende. Seu coração está no mesmo lugar. É Lilith, e não deixou de antes, ser mulher. É vulcão, demoníaca e perigosa aos olhares leigos e distantes, mas seu coração feminino sabe provar do doce amor, e talvez seja esse seu maior veneno. É Lilith, a verdadeira dama de Adão. Geniosa. Insustentável relação. Deu lugar a Eva, e talvez a humanidade culpe a talzinha por ocupar um lugar que não era dela. Lilith, injustiçada, sai de cena, e entre os bastidores manda sinais de alerta, e se emociona baixinho quando pensa em seu amor.

Não desampara sua feminilidade torrencial, e dá vida a seus pecados para não cometer sua infidelidade pessoal. Mas ama… Ah, como ama Adão. Injustiçada, sim. O mundo a retira da sua própria história. Os olhos fracos não tem lugar para ela. O brilho que ofusca, e cega, se apaga. E Lilith é condenada a demônio, e passa longe sua imagem do que é amor.

E quem foi que disse que Lilith não sofreu?? E quem foi que disse que Lilith foi embora querendo ir?? Quando não se sabe, feriu a si mesma, partindo do paraíso que Deus antes fizera para ela e seu Adão. Virou-se de costas, vestiu a fantasia de vilã, e cedeu seu papel à insignificância de uma Eva que não agrada e nem desagrada, atendendo assim a um medo inconsciente que os homens carregam daquela mulher maciça, carregada da matéria prima fêmea.

Lilith assustou Adão. E o eco se propagou. Ela hoje assusta o mundo, e dita diabólica, é rechaçada de sua própria história, não vive seu próprio amor, e nem conhece seu final feliz.

Paga preço caro, por ser cara. Seu custo está na sua pessoa. Mulher de atos fortes, perdeu seu amor, e por sua força, deram-lhe incumbência mais difícil. Segue agora transformando-se. Oscila entre o mal e o real. Não é uma coisa, nem outra. Não se trata de bondade, nem de maldade. Sua questão está para além da realidade ou da fantasia.

A questão é que Lilith amou. Sofreu, padeceu. Lilith antes de demônio é mulher. E Adão, antes de Eva, pertencia a ela. A história dá seu nó. O rumo é tomado. E não importa sua coerência, nem com quem está a razão. Interpreta-se, condena-se, segue-se.

Lilith está longe de Adão.

O paraíso caiu. A Babilônia se fez. A maçã foi mordida.

Adão foi infeliz com Eva. E se Caim matou Abel, é porque nada disso foi fruto de um amor verdadeiro.

Mas agora é tarde demais. Lilith já caiu na sombra da humanidade. Adão já não a reconhece mais como sua mulher. Eva já tornou-se matriarca do mundo. E a vida é uma grande confusão.


O relacionar-se.

Vem o tempo escorregadio, que nem se sente passar, ou que passa tão ligeiro que se parece ter mais, dentro do pouco que correu.

Normalmente são duas almas. Dois espíritos. Dois corpos, dois corações. Muitas fantasias. Algumas expectativas. Pode ser que haja mais de dois. Haja um terceiro à sombra do espetáculo.

Algum encontro. Deve-se começar num olhar. Curioso, no mais simples dos gestos, pode começar o tudo que fala por uma vida inteira talvez. Nos olhos a comunicação começa, a química resolve acontecer. Mas não se limita ao visual. Sempre há aquela palavra de efeito. Um clima se faz. Uma sintonia, como dois cabos conectados e uma luz de repente, plim, acende! Agora ondas magnéticas pulsam numa direção, opostos complementares. Da direita pra esquerda, da esquerda pra direita. Pororoca. Encontro. Colisão.

O tempo, aquele que é efêmero em sua passagem, confunde-se também. Estranhos, amigos, qualquer coisa. Agora, homem e mulher.

Salivas se correspondem, perdem identidade. Aquela velha história de dois se fazerem um, começa já. No beijo. Mais tarde no corpo, no suor. Mas antes de tudo, no beijo.

É nesse primeiro momento que se decodifica o entrosamento. Se o beijo bateu, acredite mais na vontade. O contato se mede passo a passo, e quando o beijo é acertivo, todo o resto promete.

Partimos à tecnologia, Graham Bell e a tão antiga invenção. Alguns números, sem qualquer matemática, a seqüência da felicidade. Ligar, conversar, marcar, e se parte para o novo momento: A repetição. Só se repete o que se gosta. Já é um sinal.

Um bom encontro, agora com mais vontade, ou mais certeza. Talvez mais expectativa, talvez mais receio. É a fase dois, um passo a mais. A desculpa do encontro pode ser qualquer uma. Uma cerveja, uma pizza, um filme, uma dança, um pôr-do-sol… Tão efêmero quanto o tempo. Tanto faz.

O banho do encontro é especial. O perfume, a roupa, os adornos. Tudo aparentando simplicidade que é pra impressionar sem querer impressionar.

As conversas, as verdades, as mentiras, as compatibilidades, o charme, o sorriso, o toque, o abraço, o beijo, o combinado do dia seguinte. Pronto, engrenou uma história.

O chegar em casa com felicidade, a barriga que formiga, o sono que não quer vir. A mensagem no celular que se quer enviar, o telefonema que prefere esperar, os amigos que precisam saber…

De repente se torna hábito falar três, quatro vezes ao dia. De repente há a necessidade de se ver mais, mais, mais… De repente se quer, se deseja, se tem, se entende, se adora, se precisa. De repente é. Inexplicavelmente, de repente há pertencimento, não social, mas exclusivo. Você pertence a um outro indivíduo, e ele te pertence. Ou pelo menos é assim que acaba se sentindo.

E agora você não decide mais se vai aceitar ao convite de uma festa sem consultá-lo, e tem que ver se vai viajar nas férias com a família ou se vai acompanhá-lo em não viajar, já que vai ter que trabalhar. E começam as concessões, talvez a maior das provas de amor. Cede-se por amor, cede-se por lealdade, cede-se por companheirismo. Cede-se também, e mais ainda, porque todo o mais não é tão interessante quanto estar pertencida ao que te pertence. Agora sim há matemática, interseção de conjuntos. Contém e está contido.

Vidas se entrelaçam de maneira substancial. Acredita-se no amor, e não há vento que ameace o castelo de areia. Por isso o choque das decepções. Não era pra ser assim, não podia dar errado. Há todo um comprometimento do inconsciente, subjugado por crenças reais de uma história que de fato acontece. Todo o mais que vá contra é falsário ou no mínimo não carrega sentido, e traz consigo a loucura do inesperado e inexplicável. Foge do controle, é só saudade, só vazio. Faltam peças e sobram perguntas. O terminado fica interminado dentro de você.

E ainda que se parta o coração em pedaços. Há todo um movimento em colar os cacos. Em reescrever a história de onde parou. Em rasurar o ponto final em vírgula. Há sempre a persistência em negar o fato. Como um esfomiado lambendo as sobras do prato, caçando o farelo do biscoito, em desespero pelo não-fim do que já acabou. A negação do encerramento é a ação mais comum no homem quando – e é quase sempre – não se sente qualquer preparo para aceitar a finitude das coisas. Talvez porque essa mesma idéia de fim remeta ao pior pesadelo do homem que é ser mortal. Almas sonhadoras, perseguidoras de histórias imortais, do oásis do infinito, que não se esgota, nem se escoa, mesmo que acabe. Seres determinados, munidos de uma mitologia que enfeitiça quando diz que há como ressurgir vida pós morte, vida pós o pó, felicidade para sempre.

Algumas vezes se reconquista o espaço, ou na verdade acredita-se assim. E se prolonga a dor, esticando o caos até seus mais extremos limites. Noutras, dói calado, enquanto a ficha cai. Qualquer um os dois tem sua valia, sua maneira de doer e de ensinar.

Finalmente quando só um resquício sobrou, uma saudade tão efêmera quanto ao tempo do começo, então se sente mais liberto para sentir-se caminhando só, sem muletas, e sem dar as mãos a outrem.

E de repente numa escada de um prédio, no meio de uma festa, no primeiro dia de aula de um novo curso, no supermercado, no trânsito, na recepção da academia…. Todo o processo resolve acontecer, e dessa vez, prometendo ser diferente, dando a idéia de ser o novo, o verdadeiro, diferente do engano anterior. E agora se é joguete de novas velhas expectativas… Talvez ainda mais exigentes, talvez ainda mais desconfiadas, e por conseqüência mais ameaçadoras.

Mas quem foi que disse que o homem tem medo de viver?

Então a gente vai lá, e aceita o encontro, marca, atende, liga, combina, encontra, vai, beija, ama, chora, concede, dança, viaja, transa, presenteia, surpreende, apresenta, dorme, come, vive junto…. De repente está mergulhado outra vez num outro universo, tão diferente, mas tão igual a outros também vividos antes. Mais uma vez contém e está contido. Mais uma vez interseção. Mais uma vez conjuntos. Mais uma vez matemática, de soma, potência, divisão, multiplicação, eqüações… E por fim, subtração ou a sensação final da frustração. E fecha o problema assim mesmo, já sabendo que há uma próxima questão pela frente……. E a gente não se cansa de viver, nem de amar.


 

 

“Eu sempre achei que o amor, que o grande amor fosse incondicional… que quando houvesse um grande encontro entre duas pessoas tudo pudesse acontecer… porque se esse alguém fosse o grande amor, ele sempre voltaria triunfal, mas nem todo amor é incondicional… acreditar na eternidade do amor é precipitar o seu fim porque você acha que esse amor agüenta tudo, então de um jeito ou de outro, você acaba fazendo esse amor passar por tudo… um grande amor não é possível. E talvez por isso é que seja grande. Para que nele caiba o impossível.”

 

– Extraído do programa: “Afinal, o que querem as mulheres?” – Rede Globo.


Algum nome…

Algum nome eu tenho que dar…
Não, não é mais amor, faz tempo…
Nem ódio, nunca conseguiu ser…
Tem falta, mas não só.
Tem mais. Muito. Muito mais.
Tem suor, tem lágrima…
Fotos, cartas, perfumes…
Tem músicas, muitas músicas…
Letras perdidas, mensagem subliminares, vontades vagas.
Não tem contato, nem toque, mas tem consistência.
Não tem verdades, mas não é de mentira.
Tem passado, não tem futuro. Nunca teve.
Mas, afinal, que nome? Que nome eu posso dar?

É de chumbo, cheira sangue, mas pode ser branco como a paz, e doce como o amor.

Mas não é paz, nem amor.

É tenso e ordinário.

É vergonha, é disputa, cretinice, fuga, sonho, melindros, jogos, conquistas, gemidos, sombras, carinho, respeito, desrespeito, pele, fome, causa, resposta, silêncio, grito, sede, enjôo, briga, cisma, luxúria, caso, descaso, quente, gelado, amargo, hediondo, preto, branco, vermelho, azul, vivo, eterno, morto, cruel, perto, hoje, longe, nunca, dois, um, três, zero, barato, caro, sagaz, frouxo, crime, vontade, aventura, paixão, inflamável, recorte, visceral, estranho, chato, bom, cansado, íntimo, simples, desorganizado, amargo, ontem, talvez, quando, onde, sábio, louco, fugás, pretencioso, real, fictício, problema, cama, luz, noite, bar, som, rasgo, cego, vasto, infausto, despudor, tímido, vago, intenso, medíocre, tenro, patife, alma, reflexo, pesado, palavras, corpo, temor, dependência, cheiro, liberdade, olhos, sexo, complicado, desonesto, sincero, lento, devastador, animal, relíquia, maldição, química…

Quando todos os nomes se esgotarem, e lá no final, no fundo de um nada sem cores, e sombras, após o todo se acabar por sentidos que não definirão mais nada, eu serei só, e entenderei por fim, que qualquer palavra será quase nada, talvez, completamente nada, e que nome algum, nome qualquer nesse mundo exista pra isso.

Talvez eu precise esgotar o mundo, destruir todos os sentidos, acabar as idéias, massacrar os conceitos, para ao expremer a última gota, do inexplicável, eu entenda de uma vez por todas, que está para além do nominável.

E que palavras são feitas de um material muito mais pobre do que o dos gemidos, e que certas comunicações não precisam de sons, nem idéias… Talvez de língüas e nada mais. Talvez nem isso. Talvez imaginação, ou nem isso. Talvez memória. Talvez intuição, talvez resquício, talvez mistério, talvez resposta. Talvez nada.

E que a distância em vez de inimiga, seja componente. Demonstrativo da resistência que certas forças podem conter. Fotografia de uma permanência que está atrás do sentido das letras, e muito, muito além, do longínquo mundo dos sentidos.

Como numa extratosfera envenenada de amor, entorpecida de um inexplicável… Que faz cócegas à alma, esquenta os pensamentos, e motiva os passos… Seguindo em frente, no nada. Em algum lugar eu devo estar.

Vou me achar.


O amor acaba – crônica de Paulo Mendes Campos

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.


1, 2, 3… ‘Textando’!

Meu bom espaço…. Quero que seja meu amigo, meu confidente, minha testemunha, meu momento, minhas verdades…. Crio sem um propósito específico, sem qualquer modelo ou proposta. Basta que seja meu.. Meu espaço, desabafos ordinários, pensamentos desenfreados, comentários vagos, qualquer coisa… É meu, entende, meu espaço! Assim como eu, um mundo inexplicável, de sentidos delicados, de pensamentos imensuráveis, de uma força inesgotável…

Esse depositário, essa página, esse meu mundinho particular… Assim como eu, feito de palavras, mas sem que qualquer palavra o diga o que é…… Somos assim… Eu e ele, meu mundo, meu espaço… Eu e ela, minha livre expressão… Que, por fim, não cabemos em resumos, e provamos o inesgotável num só mergulho de olhos fechados.