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Algum nome…

Algum nome eu tenho que dar…
Não, não é mais amor, faz tempo…
Nem ódio, nunca conseguiu ser…
Tem falta, mas não só.
Tem mais. Muito. Muito mais.
Tem suor, tem lágrima…
Fotos, cartas, perfumes…
Tem músicas, muitas músicas…
Letras perdidas, mensagem subliminares, vontades vagas.
Não tem contato, nem toque, mas tem consistência.
Não tem verdades, mas não é de mentira.
Tem passado, não tem futuro. Nunca teve.
Mas, afinal, que nome? Que nome eu posso dar?

É de chumbo, cheira sangue, mas pode ser branco como a paz, e doce como o amor.

Mas não é paz, nem amor.

É tenso e ordinário.

É vergonha, é disputa, cretinice, fuga, sonho, melindros, jogos, conquistas, gemidos, sombras, carinho, respeito, desrespeito, pele, fome, causa, resposta, silêncio, grito, sede, enjôo, briga, cisma, luxúria, caso, descaso, quente, gelado, amargo, hediondo, preto, branco, vermelho, azul, vivo, eterno, morto, cruel, perto, hoje, longe, nunca, dois, um, três, zero, barato, caro, sagaz, frouxo, crime, vontade, aventura, paixão, inflamável, recorte, visceral, estranho, chato, bom, cansado, íntimo, simples, desorganizado, amargo, ontem, talvez, quando, onde, sábio, louco, fugás, pretencioso, real, fictício, problema, cama, luz, noite, bar, som, rasgo, cego, vasto, infausto, despudor, tímido, vago, intenso, medíocre, tenro, patife, alma, reflexo, pesado, palavras, corpo, temor, dependência, cheiro, liberdade, olhos, sexo, complicado, desonesto, sincero, lento, devastador, animal, relíquia, maldição, química…

Quando todos os nomes se esgotarem, e lá no final, no fundo de um nada sem cores, e sombras, após o todo se acabar por sentidos que não definirão mais nada, eu serei só, e entenderei por fim, que qualquer palavra será quase nada, talvez, completamente nada, e que nome algum, nome qualquer nesse mundo exista pra isso.

Talvez eu precise esgotar o mundo, destruir todos os sentidos, acabar as idéias, massacrar os conceitos, para ao expremer a última gota, do inexplicável, eu entenda de uma vez por todas, que está para além do nominável.

E que palavras são feitas de um material muito mais pobre do que o dos gemidos, e que certas comunicações não precisam de sons, nem idéias… Talvez de língüas e nada mais. Talvez nem isso. Talvez imaginação, ou nem isso. Talvez memória. Talvez intuição, talvez resquício, talvez mistério, talvez resposta. Talvez nada.

E que a distância em vez de inimiga, seja componente. Demonstrativo da resistência que certas forças podem conter. Fotografia de uma permanência que está atrás do sentido das letras, e muito, muito além, do longínquo mundo dos sentidos.

Como numa extratosfera envenenada de amor, entorpecida de um inexplicável… Que faz cócegas à alma, esquenta os pensamentos, e motiva os passos… Seguindo em frente, no nada. Em algum lugar eu devo estar.

Vou me achar.


1, 2, 3… ‘Textando’!

Meu bom espaço…. Quero que seja meu amigo, meu confidente, minha testemunha, meu momento, minhas verdades…. Crio sem um propósito específico, sem qualquer modelo ou proposta. Basta que seja meu.. Meu espaço, desabafos ordinários, pensamentos desenfreados, comentários vagos, qualquer coisa… É meu, entende, meu espaço! Assim como eu, um mundo inexplicável, de sentidos delicados, de pensamentos imensuráveis, de uma força inesgotável…

Esse depositário, essa página, esse meu mundinho particular… Assim como eu, feito de palavras, mas sem que qualquer palavra o diga o que é…… Somos assim… Eu e ele, meu mundo, meu espaço… Eu e ela, minha livre expressão… Que, por fim, não cabemos em resumos, e provamos o inesgotável num só mergulho de olhos fechados.